17.7.10

Férias - Visite um museu (1)

Mostra de filmes sobre a luta negra no Ibirapuera

O Museu Afro Brasil está com uma mostra de cinema sobre a luta negra.

É uma grande iniciativa. Vale a pena assistir!

Leia nota publicada hoje na Folha de S. Paulo:

"CINEMA

Museu Afro Brasil começa hoje mostra de filmes sobre a luta negra

DE SÃO PAULO - A mostra "Saga Negra do Norte", parceria do Museu Afro Brasil com a Heco Produções, começa hoje às 14h (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/ n; tel . 5579-0593; grátis; até 15/08; 150 lugares).

A abertura será com o filme "O Nascimento de uma Nação" (1915), de D.W. Griffith. Em seguida, às 17h, será exibido "Manderlay" (2005), de Lars Von Trier.

Com curadoria do cineasta Eugenio Puppo, a mostra selecionou 11 obras, entre documentários e ficções, que retratam diferentes perspectivas de um período crucial para a questão das relações raciais nos Estados Unidos.

Entre os filmes estão "O Assassinato de Martin Luther King" (1993), de Denis Muller, "Os Panteras Negras" (1968), dirigido por Agnès Varda, e "Malcom X" (1992), do cineasta Spike Lee.

As sessões serão sempre às 14h e 17h, aos sábados e domingos. A programação pode ser conferida no site www.museuafrobrasil.com.br"
Mais informações:

Dias e Horários de Visitação:
Terça a domingo das 10h as 17h. Entrada Gratuita.

Endereço:
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº
Parque Ibirapuera - Portão 10
04094-050 - São Paulo - SP

13.7.10

Ciclo da mineração

O ouro do Brasil para o cofre do Rei de Portugal

Já pensou no ouro que nossa nação foi surrupiada pela então metrópole portuguesa?

Um artigo do professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) Angelo Alves Carrara, maior especialista da história da mineração de ouro no Brasil pode dar uma idéia para vocês.

O professor Carrara começa seu artigo dizendo qual era o significado de encontra ouro no Brasil:
"Mais do que um recurso natural. Mais do que um artigo de exportação. O que se descobriu em Minas, depois de dois séculos de colonização, foi fortuna em estado puro.

Ao contrário do que ocorria com a produção de cana-de-açúcar no Nordeste, o metal extraído dos leitos dos rios mineiros não dependia da demanda internacional e suas oscilações de cotação: já vinha em forma de dinheiro, pronto para ser posto em circulação ali mesmo. O ouro em pó transformou-se imediatamente na principal moeda das Minas Gerais naquele final do século XVII. E era tão abundante que, embora quase sempre tivesse Portugal como destino, causou enorme impacto econômico e social também deste lado do Atlântico."
Mais adiante o professor dá um dado sobre o período que vai de 1697 até 1760.
"afinal, será possível estimar a quantidade de ouro enviada para Portugal desde o descobrimento do metal até o encerramento das extrações? Graças aos estudos das últimas décadas, é possível, sim. Com base em relatórios de cônsules franceses em Lisboa, nos anos 1970 o historiador Virgílio Noya Pinto calculou a quantidade de ouro desembarcado em Lisboa somente de navios vindos do Brasil: foram mais de 529 toneladas entre 1697 e 1760. Já o pesquisador francês Michel Morineau, a partir de informações de gazetas holandesas, chegou a um total não muito diferente: cerca de 566 toneladas."
Se quiser fazer as contas, o preço hoje do ouro é de cerca de R$ 70,00 o grama. É só fazer as contas. E isso não foi tudo.

Quer saber mais?

Leia o artigo completo na Revista de História da Biblioteca Nacional clicando aqui.

Frida Kahlo

Lembraças de Frida Kahlo


Em 13 de julho de 1954 morreu a pintora mexicana Frida Kahlo.

Revolucionária na política e na arte, Frida foi uma personagem do século XX.

Quer conhecer mais sobre ela?

Clique aqui e leia o verbete sobre ela na Wikipédia.

Para ver algumas de suas pinturas clique aqui e visite o Museu Virtual Frida Kahlo.

Epidemink

Exposição Epidemik, na Estação Ciência da USP, traz informações e jogos sobre as maiores epidemias mundiais


Depoimentos de doentes, pessoas que já contraíram enfermidades epidêmicas e de cientistas como o professor Isaías Raw, do Instituto Butantan, fazem parte da exposição Epidemik, que ficará até o dia 26 de setembro na Estação Ciência da Universidade de São Paulo (USP).

A exposição procura traçar aspectos históricos e sociais das principais epidemias que assolaram o mundo e conta com um jogo que simula cinco epidemias que se espalham por grandes metrópoles como Nova York, Moscou, Paris e Rio de Janeiro.

A primeira versão do projeto foi montada na França e para o Brasil foram desenvolvidas partes especiais como um documentário sobre a doença de Chagas e uma epidemia de dengue no Rio de Janeiro, que foi acrescentada ao jogo eletrônico.

Interessados podem visitar a exposição de terça a sexta-feira, das 8 às 18 horas, e aos sábados, domingos e feriados, das 9 às 18 horas. O ingresso custa R$ 4. Menores de seis e maiores de 60 anos não pagam entrada.

A exposição Epidemik tem curadoria do Instituto Butantan, de São Paulo, e do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro. Tem colaboração da USP e é organizada pela farmacêutica Sanofi-Aventis.

A Estação Ciência-USP fica na Rua Guaicurus, 1394, Lapa, São Paulo (SP), bem pertinho da Estação Lapa de Trem;

Mais informações www.epidemik.com.br

11.7.10

Cavernas

Nas profundezas da terra


Imagine: 350 metros de profundidade. Escuridão, pedras soltas e muito barro e poeira.

É a viagem que a equipe da revista GEO fez ao entrar nas profundezas da maior caverna da Alemanha.

A caverna chama-se "Riesending", a tradução faz jus: "Coisa Gigantesca".

Lendo a reportagem, o pior era o que eu temia. Descer é fácil. O complicado e suado é subir por cordas de uma formação geológica instável na volta.

Vale a pena ler o artigo completo. Clique aqui para ler!

Egito

Vamos visitar uma tumba no Egito?

O site UOL na sua seção de Ciências divulgou fotos da mais recente descoberta arquiológica do Egito. Uma tumba de dois altos funcionários públicos do Egito Antigo.


Nas suas paredes, cores vivas e vibrantes com mais de 4.200 anos de idade.

A arte no Egito sempre foi ligada a tradição mortuária e ao culto faraônico. E exatamente por isso que conhecemos muito da história deste povo.

Para visitar as fotos, clique aqui!

Para ler a matéria completa, clique aqui!

13.6.10

Copa do Mundo 2010

Segue abaixo um belo texto da escritora, cantora e ativista Vange Leonel.
É um bom artigo para refletir sobre a Copa.


Sangue Africano

por Vange Leonel


Falta pouco. Em junho, o futebol brasileiro estreia em uma Copa do Mundo que, pela primeira vez na história, irá acontecer em solo africano. Muito justo. Sempre correu sangue africano nas veias dos maiores craques do esporte bretão.

Não bastasse, a África é o berço de toda a humanidade. Podemos ter a cor da pele mais clara ou mais escura, olhos menos ou mais puxados, mas todos temos um ancestral comum -e ele é africano.

Infelizmente, nossa "Mãe África" tem seu solo encharcado de sangue. Sangue derramado por colonizações predatórias, tráfico de escravos, intermináveis disputas étnicas, governos corruptos, guerras civis, terrorismo, segregação racial e um sem-número de infortúnios.
Há também muito sangue despejado pelas meninas que sofrem ablação compulsória de seus clitóris e por milhares de mulheres estupradas diariamente em casa e nas ruas.

A África do Sul, sede da Copa, registra um dos mais altos índices de estupro por gangues. Há dois anos, escrevi aqui sobre Eudy Simelane, meio-campista da seleção de futebol sul-africana, violentamente estuprada e morta por vizinhos. Lésbica assumida, a jogadora sofreu o que lá é chamado de "estupro corretivo": "aprendeu na marra" que mulher tem que gostar é de homem.
Quando ligarem a TV e ouvirem explodir as vuvuzelas (cornetas dos torcedores), lembrem do sangue no continente que nos pariu.

Publicado na Coluna GLS da Revista da Folha em 4 de abril de 2010

19.5.10

Fogo e ciências

Um dia que os cientistas choraram

Carl Sagan, no início de sua série Cosmos lamentava o fim da Biblioteca de Alexandria.

Ilustração da Biblioteca de Alexandria

Ele descrevia a Bibliteca:

" (...) Alexandria era a capital editorial do planeta. É claro que na altura não existia a imprensa. Os livros eram caros; cada exemplar tinha de ser copiado à mão. A biblioteca era o repositório das melhores cópias do mundo. Foi ali inventada a arte da edição crítica. O Antigo Testamento chegou-nos directamente das traduções gregas feitas na Biblioteca de Alexandria. Os Ptolomeus usaram muita da sua enorme riqueza na aquisição de todos os livros gregos, assim como dos trabalhos originários de África, da Pérsia, da Índia, de Israel e de outras regiões do mundo. Ptolomeu III Evergeto tentou pedir em empréstimo a Atenas os manuscritos originais ou as cópias oficiais das grandes tragédias de Sófocles, Esquilo e Eurípedes. Para os atenienses, esses textos eram uma espécie de património cultural — um pouco como, para a Inglaterra, os manuscritos ou as primeiras edições das obras de Shakespeare; por isso, mostraram-se reticentes em deixar os manuscritos sair das suas mãos por um instante que fosse. Só aceitaram ceder as peças depois de Ptolomeu ter assegurado a devolução através de um enorme depósito em dinheiro. Mas Ptolomeu dava mais valor a esses manuscritos do que ao ouro ou à prata. Preferiu por conseguinte perder a caução e conservar, o melhor possível, os originais na sua biblioteca. Os atenienses, ultrajados, tiveram de se contentar com as cópias que Ptolomeu, pouco envergonhado, lhes deu. Raramente se viu um estado encorajar a busca da ciência com tal avidez.

Os Ptolomeus não se limitaram a acumular conhecimentos adquiridos; encorajaram e financiaram a investigação científica e deste modo geraram novos conhecimentos. Os resultados foram espantosos: Eratóstenes calculou com precisão o tamanho da Terra, traçou o seu mapa, e defendeu que se podia atingir a Índia viajando para oeste a partir de Espanha; Hiparco adivinhou que as estrelas nascem, deslocam-se lentamente ao longo de séculos e acabam por morrer; foi o primeiro a elaborar um catálogo indicando a posição e magnitude das estrelas de modo a poder detectar essas mudanças. Euclides redigiu um tratado de geometria com base no qual os seres humanos aprenderam durante vinte e três séculos, trabalho que iria contribuir para despertar o interesse científico de Kepler, Newton e Einstein; os escritos de Galeno acerca da medicina e da anatomia dominaram as ciências médicas até ao renascimento. E muitos outros exemplos (...)"
Carl Sagan, in "Bibliteca de Alexandria"


Carl Sagan sempre me pareceu chorar por tudo aquilo que a humanidade perdeu nos (vários) incêndios da Biblioteca de Alexandria.

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O fogo destruíndo a ciência

Quando lí a notícia do incêncio no Instituto Butantan, pensei no incêncio da Biblioteca de Alexandria.

Bombeiro faz o rescaldo do prédio queimado no Instituto Butantan
Foto: Nelson Antoine/Foto Arena/Agência Estado

Desde que tenho memórias, ouço falar do Instituto Butantan como um lugar de ciência e de cura.

Sempre imaginei que se fosse mordido por uma serpente venenosa, minha cura viria do Instituto Butantan.

Segundo nota da Sociedade Brasileira de Zoologia, "foram perdidos mais de 500 mil espécimes entre ofídios e aracnídeos".

No site UOL, um relato de um pesquisador:
“A perda é irreparável. Aquele material não tinha preço e não existe outro igual. Perdemos mais com o incêndio do Butantan do que se tivéssemos queimado dezenas de bibliotecas, pois as bibliotecas são compostas quase sempre por livros publicados em série, já muitas serpentes que compunham o acervo do Butantan eram únicas e já não existem mais”, lamenta Miguel Trefaut Urbano Rodrigues, herpetólogo do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).
Na mesma reportagem do UOL o historiador da Casa de Oswaldo Cruz, Luiz Antonio Teixeira, explica que a coleção era resultado da colaboração e do trabalho da população brasileira, além da profunda dedicação de cientistas de diversas épocas. E completa:
“O acervo tinha grande importância histórica, porque os primeiros exemplares foram colhidos pelo próprio Vital Brasil, fundador do Butantan. Há cerca de 100 anos, ele criou o costume de trocar serpentes trazidas pela própria população por ampolas de soro. No início, muitos exemplares foram conseguidos dessa forma. Assim foi construída a base da coleção”
Nos jornais, afirma que 120 anos de amostras de espécies, algumas deles únicas, foram perdidas.

Qualquer shopping center ou banco que se vá hoje, possui um sistema de combate à incêndios montado.

Como explicar que um Centro de Pesquisas Internacional como o Instituto Butantan não tenha?

Precisamos que nossa nação proteja melhor sua ciência, seu patrimônio cientifico e histórico.

Para saber mais, lei abaixo a carta Sociedade Brasileira de Zoologia:


Um alerta para situação das coleções científicas

Excelentíssimo Senhor
Sérgio M. Rezende
MD Ministro da Ciência e Tecnologia

Prezado Senhor,

A Comunidade científica acabou de perder um acervo magnífico, com o incêndio ocorrido neste último final de semana no Instituto Butantan em São Paulo. Há muito tempo que a Sociedade Brasileira de Zoologia vem discutindo, nos fóruns em que participa, sobre a melhoria das condições de coleções científicas nacionais. Entendemos que o ocorrido foi uma fatalidade, porém, este fato deve ser considerado como um alerta pois existem várias outras coleções científicas instaladas em prédios antigos e inadequados, com acervos históricos de áreas que muitas vezes nem mais existem devido às ações antrópicas.

Entendemos que chegamos em um momento importante e crucial. Devemos deixar diferenças de lado e solicitarmos uma ação transversal entre ministérios para um programa urgente de melhoria das coleções científicas. É inconcebível que estas não contem com acondicionamento apropriado para o material e condições mínimas de segurança e preservação de seu acervo. Urge também a necessidade de catalogação das informações em meio digital descentralizado, garantindo assim a perpetuação das informações e o necessário acesso irrestrito a estas informações pela comunidade científica e leiga.

No Instituto Butantan foram perdidos mais de 500 mil espécimes entre ofídios e aracnídeos. Como recuperar estas informações? Não há como! Mas devemos pensar que há inúmeras outras coleções científicas em risco, pois os locais onde estão acondicionados milhões de espécimes são inapropriados e as condições de segurança são precárias, não apenas contra incêndios, mas também contra infiltração de umidade, vandalismos, roubos, etc.

O acervo consumido pelo fogo, não é apenas um prejuízo da comunidade científica brasileira, mas sim da humanidade. Seu valor histórico é incalculável. Não foram simples cobras ou aranhas e escorpiões que se perderam. Perdeu-se sim, importantes informações sobre nossa biodiversidade que foram consumidas pelo fogo e pela falta de atenção do poder público. Se não houver uma política pública de longo prazo para manutenção e ampliação dessas coleções, poderemos perder muito mais.

Sociedade Brasileira de Zoologia

Religião e ciência

Deus? Não obrigado.

Reprodução do teto da Capela Sistina, de Michelangelo


Faz alguns dias uma aluna me perguntou qual minha religião.

Respondi que era ateu, convicto. E ao mesmo tempo adoro história das religiões, exatamente por elas revelarem muito da humanidade.

Ao mesmo tempo explico minha opinião categórica sobre Ensino e Religião: não se misturam. A religião fica do lado de fora da sala, como fé. E na aula, religião é história. Religião é pessoal, é particular, é questão privada de cada um.

Mas se me perguntarem, sobre a razão de eu ser ateu, usaria as palavras de Karl Marx, em seu texto de 1843 "Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel":

"(...) O homem que só encontrou o reflexo de si mesmo na realidade fantástica do céu, onde buscava um super-homem, já não se sentirá inclinado a encontrar somente a aparência de si próprio, o não-homem, já que aquilo que busca e deve necessariamente buscar é a sua verdadeira realidade.

A religião não faz o homem, mas, ao contrário, o homem faz a religião: este é o fundamento da crítica irreligiosa. A religião é a autoconsciência e o autosentimento do homem que ainda não se encontrou ou que já se perdeu. Mas o homem não é um ser abstrato, isolado do mundo. O homem é o mundo dos homens, o Estado, a sociedade. Este Estado, esta sociedade, engendram a religião, criam uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste mundo, seu compêndio enciclopédico, sua lógica popular, sua dignidade espiritualista, seu entusiasmo, sua sanção moral, seu complemento solene, sua razão geral de consolo e de justificação. É a realização fantástica da essência humana por que a essência humana carece de realidade concreta. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, a luta contra aquele mundo que tem na religião seu aroma espiritual.

A miséria religiosa é, de um lado, a expressão da miséria real e, de outro, o protesto contra ela. A religião é o soluço da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, o espírito de uma situação carente de espirito. É o ópio do povo.

A verdadeira felicidade do povo implica que a religião seja suprimida, enquanto felicidade ilusória do povo. A exigência de abandonar as ilusões sobre sua condição é a exigência de abandonar uma condição que necessita de ilusões. Por conseguinte, a crítica da religião é o germe da critica do vale de lágrimas que a religião envolve numa auréola de santidade.

A crítica arrancou as flores imaginárias que enfeitavam as cadeias, não para que o homem use as cadeias sem qualquer fantasia ou consolação, mas para que se liberte das cadeias e apanhe a flor viva. A crítica da religião desengana o homem para que este pense, aja e organize sua realidade como um homem desenganado que recobrou a razão a fim de girar em torno de si mesmo e, portanto, de seu verdadeiro sol. A religião é apenas um sol fictício que se desloca em torno do homem enquanto este não se move em torno de si mesmo."
"
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Para completar, recomendo a leitura do escritor português José Saramago. Esse texto foi retirado da página da seção Atheo da Sociedade da Terra Redonda, página altamente recomendável por buscar a divulgação da ciência e a luta contra o obscurantismo.



O fator Deus

Algures na Índia. Uma fila de peças de artilharia em posição. Atado à boca de cada uma delas há um homem. No primeiro plano da fotografia um oficial britânico ergue a espada e vai dar ordem de fogo. Não dispomos de imagens do efeito dos disparos, mas até a mais obtusa das imaginações poderá "ver" cabeças e troncos dispersos pelo campo de tiro, restos sanguinolentos, vísceras, membros amputados. Os homens eram rebeldes. Algures em Angola. Dois soldados portugueses levantam pelos braços um negro que talvez não esteja morto, outro soldado empunha um machete e prepara-se para lhe separar a cabeça do corpo. Esta é a primeira fotografia. Na segunda, desta vez há uma segunda fotografia, a cabeça já foi cortada, está espetada num pau, e os soldados riem. O negro era um guerrilheiro. Algures em Israel. Enquanto alguns soldados israelitas imobilizam um palestino, outro militar parte-lhe à martelada os ossos da mão direita. O palestino tinha atirado pedras. Estados Unidos da América do Norte, cidade de Nova York. Dois aviões comerciais norte-americanos, sequestrados por terroristas relacionados com o integrismo islâmico, lançam-se contra as torres do World Trade Center e deitam-nas abaixo. Pelo mesmo processo um terceiro avião causa danos enormes no edifício do Pentágono, sede do poder bélico dos States. Os mortos, soterrados nos escombros, reduzidos a migalhas, volatilizados, contam-se por milhares.

As fotografias da Índia, de Angola e de Israel atiram-nos com o horror à cara, as vítimas são-nos mostradas no próprio instante da tortura, da agônica expectativa, da morte ignóbil. Em Nova York tudo pareceu irreal ao princípio, episódio repetido e sem novidade de mais uma catástrofe cinematográfica, realmente empolgante pelo grau de ilusão conseguido pelo engenheiro de efeitos especiais, mas limpo de estertores, de jorros de sangue, de carnes esmagadas, de ossos triturados, de merda. O horror, agachado como um animal imundo, esperou que saíssemos da estupefação para nos saltar à garganta. O horror disse pela primeira vez "aqui estou" quando aquelas pessoas saltaram para o vazio como se tivessem acabado de escolher uma morte que fosse sua. Agora o horror aparecerá a cada instante ao remover-se uma pedra, um pedaço de parede, uma chapa de alumínio retorcida, e será uma cabeça irreconhecível, um braço, uma perna, um abdômen desfeito, um tórax espalmado. Mas até mesmo isto é repetitivo e monótono, de certo modo já conhecido pelas imagens que nos chegaram daquele Ruanda-de-um-milhão-de-mortos, daquele Vietnã cozido a napalme, daquelas execuções em estádios cheios de gente, daqueles linchamentos e espancamentos daqueles soldados iraquianos sepultados vivos debaixo de toneladas de areia, daquelas bombas atômicas que arrasaram e calcinaram Hiroshima e Nagasaki, daqueles crematórios nazistas a vomitar cinzas, daqueles caminhões a despejar cadáveres como se de lixo se tratasse. De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta aos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus. Já foi dito que as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana. Ao menos em sinal de respeito pela vida, deveríamos ter a coragem de proclamar em todas as circunstâncias esta verdade evidente e demonstrável, mas a maioria dos crentes de qualquer religião não só fingem ignorá-lo, como se levantam iracundos e intolerantes contra aqueles para quem Deus não é mais que um nome, nada mais que um nome, o nome que, por medo de morrer, lhe pusemos um dia e que viria a travar-nos o passo para uma humanização real. Em troca prometeram-nos paraísos e ameaçaram-nos com infernos, tão falsos uns como outros, insultos descarados a uma inteligência e a um sentido comum que tanto trabalho nos deram a criar. Disse Nietzsche que tudo seria permitido se Deus não existisse, e eu respondo que precisamente por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o pior, principalmente o mais horrendo e cruel. Durante séculos a Inquisição foi, ela também, como hoje os talebanes, uma organização terrorista que se dedicou a interpretar perversamente textos sagrados que deveriam merecer o respeito de quem neles dizia crer, um monstruoso conúbio pactuado entre a religião e o Estado contra a liberdade de consciência e contra o mais humano dos direitos: o direito a dizer não, o direito à heresia, o direito a escolher outra coisa, que isso só a palavra heresia significa.

E, contudo, Deus está inocente. Inocente como algo que não existe, que não existiu nem existirá nunca, inocente de haver criado um universo inteiro para colocar nele seres capazes de cometer os maiores crimes para logo virem justificar-se dizendo que são celebrações do seu poder e da sua glória, enquanto os mortos se vão acumulando, estes das torres gêmeas de Nova York, e todos os outros que, em nome de um Deus tornado assassino pela vontade e pela ação dos homens, cobriram e teimam em cobrir de terror e sangue as páginas da história. Os deuses, acho eu, só existem no cérebro humano, prosperam ou definham dentro do mesmo universo que os inventou, mas o "fator Deus", esse, está presente na vida como se efetivamente fosse o dono e o senhor dela. Não é um deus, mas o "fator Deus" o que se exibe nas notas de dólar e se mostra nos cartazes que pedem para a América (a dos Estados Unidos, não a outra...) a bênção divina. E foi o "fator Deus" em que o deus islâmico se transformou, que atirou contra as torres do World Trade Center os aviões da revolta contra os desprezos e da vingança contra as humilhações. Dir-se-á que um deus andou a semear ventos e que outro deus responde agora com tempestades. É possível, é mesmo certo. Mas não foram eles, pobres deuses sem culpa, foi o "fator Deus", esse que é terrivelmente igual em todos os seres humanos onde quer que estejam e seja qual for a religião que professem, esse que tem intoxicado o pensamento e aberto as portas às intolerâncias mais sórdidas, esse que não respeita senão aquilo em que manda crer, esse que depois de presumir ter feito da besta um homem acabou por fazer do homem uma besta.

Ao leitor crente (de qualquer crença...) que tenha conseguido suportar a repugnância que estas palavras provavelmente lhe inspiraram, não peço que se passe ao ateísmo de quem as escreveu. Simplesmente lhe rogo que compreenda, pelo sentimento de não poder ser pela razão, que, se há Deus, há só um Deus, e que, na sua relação com ele, o que menos importa é o nome que lhe ensinaram a dar. E que desconfie do "fator Deus". Não faltam ao espírito humano inimigos, mas esse é um dos mais pertinazes e corrosivos. Como ficou demonstrado e desgraçadamente continuará a demonstrar-se.

José Saramago é escritor português, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1998.

14.5.10

Datas da Fuvest, Unesp e Unicamp!

FUVEST
• Manual do vestibular 2011 estará disponível na web a partir do dia 2 de agosto.
• As inscrições vão de 27 de agosto a 10 de setembro, também pela internet.
• As provas específicas serão realizadas de 10 a 15 de outubro.
• A primeira fase será no dia 28 de novembro e
• A segunda fase ocorrerá nos dias 9, 10 e 11 de janeiro.

UNICAMP
• Inscrições abertas entre 23 de agosto e 8 de outubro.
• A primeira fase vai acontecer no dia 21 de novembro.
• A segunda fase será realizada nos dias 16, 17 e 18 de janeiro.
• Já as provas de aptidão serão aplicadas em Campinas, de 24 a 27 de janeiro.

UNESP
Primeira fase da Unesp será no dia 14 de novembro.
Segunda fase será em 19 e 20 de dezembro.

13.5.10

Antropologia

Ianomâmis: eles querem seu sangue?

Em entrevista publicada na Folha de S.Paulo em 12/5, o líder ianomâmi Davi Kopenawa expõe a sua opinião sobre a decisão dos EUA de devolverem os estoques que sangue ianomâmi que foram levados em 1967 para os EUA para o desenvolvimento de "estudos cientificos" sem autorização da comunidade ianomâmi.

O ato de contrabando do sangue ianomâmi foi um típico caso de saque genético. O sangue ianomâmi, usado em pesquisas e estudos em 5 diferentes institutos de pesquisas estadunidenses era fruto de um roubo, na medida em que nenhum dos indios foi informado das razões da sua coleta e dos reais objetivos de seu armazenamento.

Leia a matéria completa:
"Davi Kopenawa diz estar contente com notícia de que sangue de seu povo será devolvido pelos EUA.

O líder ianomâmi Davi Kopenawa disse estar "muito contente" com a notícia de que as mais de 2.000 amostras de sangue de seu povo, que desde 1967 repousam em centros de pesquisa dos Estados Unidos, serão devolvidas à tribo. Conforme a Folha adiantou no último domingo (10/5), há um acordo sendo finalizado entre cinco universidades e o governo brasileiro para a devolução, que ainda não tem data.

Da Alemanha, onde está para assistir a uma ópera que tem seu povo como protagonista, o líder indígena respondeu por e-mail, por intermédio do antropólogo Bruce Albert, a perguntas feitas pela reportagem.

- COMO O SR. RECEBEU A NOTÍCIA DE QUE AS UNIVERSIDADES ACEITARAM DEVOLVER O SANGUE?
Foi uma luta de dez anos. Agora, fiquei muito contente que os brancos acabaram entendendo a importância desse retorno.

- O SANGUE FOI COLETADO NOS ANOS 1960, MAS SÓ NESTA ÚLTIMA DÉCADA OS IANOMÂMIS COMEÇARAM A SE ESFORÇAR PARA TÊ-LO DE VOLTA. POR QUÊ?
O sangue foi tirado do nosso povo quando eu era menino. Os cientistas não explicaram nada direito. Só deram presentes, panelas, facas, anzóis e falaram que era para coisa de saúde. Depois todo mundo esqueceu. Ninguém pensou que o sangue seria guardado nas geladeiras deles, como se fosse comida! Só em 2000 que eu soube que esse sangue estava ainda guardado e sendo usado para pesquisa. Aí me lembrei da minha infância, e os velhos também se lembraram de que nosso sangue foi tirado. Todo mundo ficou muito triste de saber que esse sangue nosso e de nossos parentes mortos ainda estava guardado.

- NAPOLEON CHAGNON E JAMES NEEL AGIRAM ERRADO COM VOCÊS?
Eu acho que estavam muito errados, porque eles pensaram que os ianomâmis podem ser tratados como crianças e não têm pensamento próprio. Não dá para fazer pesquisa com povos indígenas sem explicação. Pesquisa que interessa à gente é para melhorar nossa saúde. Não dá para pesquisar e deixar a gente depois morrer de doenças. Um tempo depois que esses cientistas foram embora, em 1967, morreu quase todo o meu povo do Toototobi de sarampo.

- POR QUE O SANGUE SERÁ JOGADO NO RIO QUANDO ELE VOLTAR?
Vamos entregar esse sangue do povo ianomâmi ao rio porque o nosso criador, Omama, pescou sua mulher, nossa mãe, no rio no primeiro tempo. Mas não gosto da palavra "jogar", não vamos jogar o sangue dos nossos antigos; vamos devolver para as águas.

- OS CIENTISTAS DIZEM QUE, SEM PODEREM ESTUDAR O SANGUE E O DNA DE VOCÊS, INFORMAÇÕES QUE PODEM SER PRECIOSAS PARA TODA A HUMANIDADE SE PERDERÃO PARA SEMPRE. COMO O SR. REAGE A ESSA CRÍTICA?
A ciência não é um deus que sabe tudo para todos os povos. Se querem pesquisar o sangue do povo deles, eles podem. Quem decide se pesquisas são boas para nosso povo somos nós, ianomâmis."

12.5.10

13 de maio

Abolição: concessão ou revolução?

A Revista de História da Biblioteca Nacional fez uma interessante pauta sobre o 13 de maio.

A revista pediu ao professor
Renato Venâncio da Universidade Federal de Minas Gerais que fizesse um passeio pela biblioteca digital do Senado com indicações do que ler sobre o dia 13 de maio, sobre a luta abolicionista e o fim do trabalho escravo no Brasil.

Esse passeio pela web é pode ser visto clicando aqui.

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13 de maio, uma data quase esquecida


O debate historiográfico sobre essa data é intenso.


Uma parcela dos pesquisadores criticam a data.

A o dia da abolição sempre apresentada nas escolas como uma "concessão" bondosa do regime monárquico, dada pela futura imperatriz brasileira, Princesa Isabel.

E por isso reivindicam a data-símbolo para resistência negra no Brasil ser o dia 20 de novembro dia nacional da Consciência Negra e data da "imortatalidade de Zumbi de Palmares", hoje feriado em muitas cidades brasileiras.

Com toda a certeza, 20 de novembro é uma data fundamental, pois lembra o maior Quilombo do Brasil, o Quilombo de Palmares e a ação dos escravocratas para destruir a resistência negra, com uso dos Bandeirantes paulistas para acabar com essa cidadela da liberdade no território do Brasil.

Minha impressão é
que 13 de maio é uma importante data para o Brasil e não pode ser esquecida.

Não por causa de uma pretensa bondade da Monarquia. Essa não tinha nada de boa e sempre foi, até o último suspiro, defensora da ordem escravocrata e cujo Lei Aurêa

Cena de açoite de escravos no Brasil no quadro de J.B. Debret "Castigo no Pelourinho".


Na verdade, penso como aqueles autores que afirmam que 13 de maio de 1888 foi um marco na história brasileira, não pela "bondade", mas pela força da luta abolicionista que nos últimos anos do escravismo, minou a ordem e promoveu uma verdadeira ruptura social.


Sobre isso o professor e historiador gaúcho Mário Maestri tem um extraordinário artigo "
13 de maio: A única revolução social do Brasil" (clique no título para ler na integra).

O artigo é de 2005, mas segue sendo uma das melhores caracterizações do 13 de maio que já lí.
Vejam alguns trechos:
"Neste 13 de maio, cumpre-se sem glória mais um natalício do fim da escravatura no Brasil, uma das primeiras nações americanas a instituir e a última a abolir a escravidão. Dos 505 anos de história brasileira, mais de 350 passaram-se sob o látego negreiro. Apesar da superação do escravismo constituir o mais significativo acontecimento de passado nacional, o aniversário da Abolição transcorrerá, outra vez, semi-esquecido."
Mais adiante ele escreve:
"Apesar de bem-intencionadas, essas leituras consolidaram as interpretações do 13 de Maio dos ideólogos das classes proprietárias, que procuravam escamotear o sentido de sucessos nascidos do esforço das massas escravizadas aliadas aos setores abolicionistas radicalizados. Assentavam assim a última pedra na construção do esquecimento do mais importante acontecimento histórico brasileiro - a revolução abolicionista de 1887-8."
Vale a pena ler esse artigo sobre importante data na história.

Mundo antigo - Roma

Aprendendo com Roma, da "coisa pública" ao Império Romano

Nessa semana em algumas turmas do extensivo terminamos a Grécia e começamos o estudo de Roma.

Uma boa dica para aprender mais sobre o mundo antigo é uma visita nos artigos produzidos pelo Portal UOL - Educação sobre o assunto. Faço um roteiro dos artigos que ajudam a complementar o estudo da apostila e da aula. O link em cada nome do artigo, leva você ao artigo completo.

O primeiro artigo "Roma antiga - Introdução - De Rômulo e Remo à República e ao Império" da historiadora Fernanda Machado é um bom passeio pela antiguidade romana. A historiadora começa começa explicando um pouco das origens desse que foi um dos maiores impérios do mundo:

"Para entender como Roma conseguiu adquirir tanta importância e poder é necessário conhecer sua história em mais detalhes. A origem da sociedade romana não tem uma evidência concreta. Baseia-se numa lenda, que era uma maneira antiga de explicar fatos cuja memória se perdeu em tempos muito distantes. Assim, o poeta romano Virgílio alimentou a fantasia de seu povo ao contar que Roma teria sido fundada por dois irmãos: Rômulo e Remo."

Estátua da loba capitolina que, segundo a lenda, teria amamentado os gêmeos Rômulo e Remo.
Foto de Arnaldo Interata.

O segundo artigo é "Roma antiga - Origens - Costumes, cultura, cidadania e direito", apresenta a nossa herança atual vinda de Roma. Do português, "Última flor do Lácio" até as instituições jurídicas e políticas:

"Roma nos deixou ainda uma série de ensinamentos notáveis no campo da política (a idéia de República), e do direito (o direito romano é a base da ciência jurídica da maioria dos povos contemporâneos). Além disso, no âmbito da arquitetura e do sistema de administração municipal, bem como a organização da Igreja católica - que modelou o mundo medieval - existem diversos legados romanos. Desse modo, conhecer a história de Roma é conhecer um pouco de nossa própria história."

O terceiro artigo "Roma antiga - Monarquia - História dos reis de Roma é cercada de lendas" apresenta a primeira fase da organização social romana, onde história e lendas se confundem

"Situada entre sete colinas, Roma teria tido também sete reis que reinaram 245 anos, isto é, sete vezes sete lustros (um lustro é um período de cinco anos). Na realidade, esse número é muito provavelmente uma ficção mitológica e, se alguns desses reis de fato existiram, as vidas que lhes são atribuídas pelos historiadores antigos têm caráter inequivocamente fantástico."

O quarto artigo apresenta "Roma antiga - República - A organização do governo republicano de Roma" onde as instituições do governo romano são apresentadas partido do depoimento do historiador grego Políbio, testemunha ocular da história romana.

"O texto de Políbio certamente expressa os ideais republicanos de Roma, ainda que a atuação e as manobras dos políticos que exerciam o poder ou mesmo as circunstâncias reais pudessem originar distorções e desvios de rumo.

Ainda assim, trata-se de um documento de valor inestimável, por seu rigor e clareza. Assim, vale a pena conhecê-lo para se ter uma ideia das primeiras instituições republicanas na história da humanidade e observar como - num certo sentido - elas não perderam a atualidade."

Para compreender melhor o texto de Políbio há uma tabela com um resumo de fácil compreenção de cada uma das instituições romanas e pode ser visto clicando aqui.

O último artigo dessa série é "Guerras Púnicas - Roma e Cartago lutaram pelo domínio do Mediterrâneo". Trata-se da consolidação de Roma e o início de sua fase imperialista ainda no período republicano. É o momento de virada de Roma e a consolidação de sua hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo, que será tratado dai por diante como uma piscina romana:

"As guerras Púnicas foram travadas por Roma contra Cartago entre 264 e 146 a.C. pela hegemonia do comércio no mar Mediterrâneo. O conflito se estendeu por mais de cem anos numa série de três confrontos, que culminou com a destruição total do Estado púnico. O nome púnico provém de "poeni", designação latina para o povo fenício, o fundador de Cartago."

Roma, em seu apogeo após o controle do Mar Mediterrâneo, nas Guerras Púnicas.



11.5.10

História medieval

Aqueduto do século 14 é descoberto em Jerusalém

Arquéologos anunciaram nesta terça-feira (11) a descoberta de uma aqueduto do século 14 que forneceu água para Jerusalém por quase 600 anos. Diferentemente de outras descobertas, porém, os arqueólogos nesse caso já sabiam onde o aqueduto se encontrava.

Fotografias do século 19 mostravam que o aqueduto era usado na cidade, na época sob comando otomano. A foto também possuía uma inscrição datando a obra, construída em 1320.

O aqueduto foi descoberto durante reparos no sistema de águas da cidade. Obras públicas em Jerusalém (e outras cidades antigas) são executadas sob supervisão de arqueólogos e outros profissionais. O objetivo é evitar que potenciais achados sejam destruídos no processo de modernização.

A equipe encontrou duas das novas seções de uma ponte de cerca de 3 metros de altura na parte oeste da Cidade Velha de Jerusalém.

Embora os arqueólogos já soubessem que o aqueduto estava lá, essa é a primeira vez que eles puderam visualizar diretamente o engenhoso sistema, usado por séculos para combater a gravidade e transportar água a longas distâncias.

Nos tempos bíblicos, o crescimento da populaçao de Jerusalém levou os líderes locais a buscar fontes de água em locais cada vez mais distantes. Uma fonte de água foi encontrada próximo a Belém, seguindo uma rota tortuosa distante 22 quilômetros. O aqueduto encontrado hoje em Jerusalém segue a mesma rota do primeiro aqueduto construído na região, há 2.000 anos.

Associated Press, em Jerusalém
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u733502.shtml

25.3.10

Evolução humana

Um polegar da evolução humana

Um estudo publicado na revista Nature mostra descobera de uma nova espécie de ancestrais da humanidade descoberta por acaso.

Vale a pena ler a matéria:


"Com DNA, grupo acha nova espécie de humano na Ásia
Reinaldo José Lopes

Cientistas extraíram material genético de um único polegar fóssil na Sibéria

Um único osso do polegar (não se sabe nem se da mão direita ou esquerda) pode servir de base para revelar um irmão extinto da humanidade, de cuja existência nenhum antropólogo sequer desconfiava até agora. Transformado em pó, o ossinho rendeu DNA suficiente para identificar um indivíduo que provavelmente não é nem Homo sapiens nem neandertal.

Se as estimativas feitas pelos cientistas que estudaram esse material genético estiverem corretas, a criatura, que viveu nas montanhas do Altai, no sul da Sibéria, representa uma migração independente de hominídeos (como é conhecido o grupo ao qual pertence o homem e seus parentes fósseis) da África rumo à Eurásia.

Com cerca de 40 mil anos de idade, ele pode até ter tido contato com humanos modernos e neandertais, cujos ossos e ferramentas foram achadas nessa mesma região da Rússia.

Surpresa

Em entrevista coletiva por telefone, Johannes Krause e Svante Pääbo, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha), contaram como se deu a descoberta, publicada no site da revista científica britânica "Nature". Segundo Krause, inicialmente o grupo não tinha nenhuma razão para acreditar que o DNA obtido do osso fosse diferente do dos neandertais que a equipe já estudou diversas vezes.

"Quando eu vi os dados, liguei imediatamente para o celular de Svante, que estava num congresso em Cold Spring Harbor [EUA]. Disse que era melhor ele se sentar antes de ouvir o que eu tinha para contar", afirma Krause. "No começo, achei que ele estava de brincadeira", diz Pääbo.

"Seja lá o que for isso, trata-se de uma nova criatura, que simplesmente tinha escapado ao nosso radar até agora." A comparação mais próxima, arrisca Pääbo, é com o chamado "hobbit", ou Homo floresiensis, da Indonésia -um hominídeo-anão que parece ter sobrevivido isolado na ilha de Flores até uns 17 mil anos atrás.

O "hobbit" foi descoberto só em 2004, e os dois casos indicam uma diversidade oculta de humanos extintos, que teriam florescido em locais remotos e épocas relativamente recentes.

Cópias

Por enquanto, o material genético obtido é apenas o DNA mitocondrial, ou mtDNA, presente nas mitocôndrias, as usinas de energia das células. É mais fácil extrair mtDNA de ossos antigos porque há 8.000 cópias dele em cada célula, contra apenas uma do DNA "principal", o do núcleo.

"Mas já conseguimos obter DNA do núcleo também, e devemos apresentar dados sobre ele em questão de meses", afirma Pääbo. Essa informação -ou, de preferência, fósseis mais completos- é indispensável para tentar saber que cara tinha o "hominídeo fantasma" do sul da Sibéria.

Mutações no mtDNA são muito usadas para diferenciar uma espécie de outra e funcionam em mais de 90% dos casos. Considerando que há uma taxa "média" de mutações, é possível estimar o tempo de separação a partir de um ancestral comum. Nesse caso, a conta chega a cerca de 1 milhão de anos -algo como o dobro do tempo que separa a linhagem humana moderna da dos neandertais.

Contudo, dispondo apenas do mtDNA, é muito cedo para cravar que se trata de uma espécie nova de hominídeo, alerta John Hawks, antropólogo da Universidade de Wisconsin em Madison (EUA). "Pode ser que haja divergências muito antigas dentro do mtDNA dos neandertais que nós ainda não tínhamos observado. Precisamos de algo além do polegar", disse Hawks ao comentar o achado em seu blog.

Fonte: Folha de SP, 25/3



24.3.10

Origens da escrita

Escrita cuneiforme

Começar as aulas no cursinho obriga o professor a pensar no seguinte: por onde começar?

Na primeira aula decidi que é preciso partir da linha do tempo. Ok, ok... Muita gente discorda deste método. Mas ele é útil... Pois permite que sejam apresentados fatos de modo sistemático para o estudante pré-vestibular entender a evolução da história humana.

A história começou antes da escrita. Mas a escrita é quem fez a história ser o que ela é.

Vários pesquisadores definem que a escrita é um dos principais marcos na história humana, pois foi o primeiro grande suporte para a aplicação de uma metodologia de registro da atividade prática e do conhecimento da humidade.

E História, desde de Heródoto é antes de tudo um retorno aos registros da atividade humana.

A escritá suméria é o primeiro passo da humanidade na longa caminhada da escrita.

Tablete de barro com escrita cuneiforme.

Eles desenvolveram uma escrita pictográfica, ou seja, originada de desenhos da realidade que são interpretados pelo leitor.

Com o passar do tempo os desenhos vão se simplificando até se transpormarem em caractéres.

É uma evolução da pintura rupestre (aquela dos nossos antepaçados que habitavam cavernas) para uma forma móvel e transportável: o tablete de barro.

Tá certo, você leitor vai se perguntar: mas o tablhe de barro pesa muito e se escreve pouco. É verdade. Mas é muito melhor do que depender de paredes das cavernas!

O termo Cuneiforme significa escrita feita com cunha, ou seja, objeto perfurantes utilizado para desenhar no barrro. Concretamente, escrever nessa época era esculpir o barro. Sua principal função foi ser um instrumento de registro do poder estatal de então. A Wikipédia explica bem isso em seu esboço de verbete:

Inventada pelo sumérios para registrar a língua suméria, a escrita cuneiforme foi adotada subsequentemente pelos acadianos, babilônicos, elamitas, hititas e assírios e adaptada para escrever em seus próprios idiomas; foi extensamente usada na Mesopotâmia durante aproximadamente 3 mil anos, apesar da natureza silábica do manuscrito (como foi estabelecido pelos sumérios) não ser intuitiva aos falantes de idiomas semíticos. (...) A sua invenção ficou a dever-se às necessidades de administração dos palácios e dos templos (cobrança de impostos, registro de cabeças de gado, medidas de cereal, etc.). Fez nascer a escola, o livro, a literatura e os códigos de leis." Esboço de verbete escrita Cuneiforme da Wikipédia

Muito interessante é a evolução dessa escrita.

Veja a tabela comparativa que compara a evolução da escrita cuneiforme em vários momentos das civilizações que se estabeleceram na Mesopotâmia:


Agora vocês já possuem uma idéia sobre a origem da escrita.

O próximo post, publico o Ano Cósmico do Carl Sagan!

18.3.10

Dica: Palestra Gratuita!


Instituto de Física Teórica da Unesp promove palestra do físico Marcelo Gleiser

Nesta sexta-feira, 19 de março, às 19h



O físico Marcelo Gleiser apresentará a palestra "Unificação e o Código Oculto da Natureza: limites da ciência e a importância da imperfeição". A palestra é baseada em seu livro mais recente "A Criação Imperfeita".

Confira o resumo da apresentação:

"Será que a unificação das forças da Natureza, a "Teoria Final", é ciência ou sonho? Após apresentar as raízes históricas do conceito de unificação, argumento que a construção de uma teoria final é impossível.

Analisando a evidência experimental acumulada, mostro que apesar da importância da simetria na construção das teorias físicas só as assimetrias que tem um papel determinante na descrição dos fenômenos naturais, especialmente no que diz respeito a formação de estrutura, das partículas de matéria às galáxias e à vida.

Somos produto de assimetrias fundamentais, cuja origem ainda não compreendemos. Olhando para a evidência de vida extraterrestre, argumento que a vida complexa é extremamente rara. Isso nos torna especiais, e aponta para uma nova orientação moral para a humanidade: preservar a vida a todo custo."
Mais informações e inscrições gratuitas no site www.ift.unesp.br

6.3.10

Estudo confirma que impacto de asteroide matou dinossáuros

ASTEROIDE MATOU DINOSSÁUROS

Segundo artigo do jornal inglês "The Independent" um grupo de especialistas examinou 20 anos de evidências, vindas de várias disciplinas e afirmam que questionamentos a essa teoria não se comprovam.

Leia a matéria :
"CPI" confirma que impacto de asteroide matou dinos
Comitê de 41 especialistas descarta vulcanismo como explicação mais provável

Grupo examinou 20 anos de evidências, vindas de várias disciplinas; colisão ocorreu na época certa, ao contrário do que alegavam os "céticos"

Alguns dizem que eles morreram por serem burros demais, outros que eles se afogaram no próprio esterco. Mas a verdadeira razão pela qual os dinossauros se extinguiram, 65,5 milhões de anos atrás, foi agora ratificada: uma colisão de um gigantesco cometa ou asteroide com a Terra.

Uma extensa investigação realizada por um painel de 41 especialistas do mundo inteiro -uma espécie de "CPI" sobre o assunto- concluiu que a hipótese do impacto extraterrestre é a única que sobrevive ao escrutínio científico.

Os cientistas revisaram mais de 20 anos de evidências de várias disciplinas científicas. Descobriram que a única concorrente séria para a hipótese do impacto -uma série de erupções vulcânicas que aconteceram na mesma época e levantaram o platô do Decã, na Índia- não era capaz de dar conta do sumiço dos dinos e de metade das espécies que compartilhavam o planeta com eles.

As erupções do Decã não teriam liberado gás venenoso o suficiente por um período longo o suficiente para causar a extinção em massa.

"Se você combina todas as evidências, elas pendem fortemente em favor de uma colisão gigante de asteroide", disse Jo Morgan, cientista do Imperial College de Londres. Ela é coautora do estudo, publicado ontem no periódico "Science".

Ela continuou: "O prego final no caixão dos dinossauros aconteceu quando o material do impacto foi ejetado em alta velocidade na atmosfera. Isso cobriu o planeta em trevas e causou um inverno global". A fotossíntese teria sido interrompida e os dinossauros teriam morrido de fome.

A teoria de que o impacto de um bólido celeste matou os dinossauros data dos anos 1980, quando o físico Luis Alvarez e seu filho, o geólogo Walter Alvarez, acharam uma camada de irídio, um elemento químico raro, em sedimentos formados 65,5 milhões de anos atrás.

A mesma camada de irídio -hoje conhecida como barreira K-T (Cretáceo-Terciário)- foi encontrada em mais de cem sítios no mundo. Como asteroides são ricos em irídio, isso sugeria uma colisão que espalhara destroços por todo o planeta. Além disso, fósseis abaixo da barreira K-T sugeriam uma abundância de espécies, enquanto os fósseis acima dela sugeriam extinção em massa.

Alguns anos mais tarde, geólogos na península de Yucatán, no México, descobriram anomalias gravitacionais e magnéticas que denunciavam a existência de uma cratera de 200 km no litoral. Estudos posteriores sugeriram que a chamada cratera de Chicxulub foi resultado da colisão com um bólido de 10 km de diâmetro.
Céticos como Gerta Keller, da Universidade de Princeton, sugeriam que o impacto de Chicxulub ocorrera 300 mil anos antes da extinção em massa e, portanto, não poderia ter sido a causa da extinção. O novo estudo, porém, confirma que a data da colisão é perfeita para explicar o cataclismo.


6.1.10

Caranguejo Samurai

Seleção artificial: o caso do caranguejo samurai


Lendo um interessante artigo do biólogo "Caranguejo samurai e o futuro do homem" de Alysson Muotri.


Ele retoma algo que Carl Sagan já havia explorado num episódio de Cosmos que me lembro desde criança.

Procurando na internet achei a passagem do Carl Sagan sobre os caranguejos samurai:
"Deixem-me contar-vos uma história sobre uma pequena frase musical da vida na Terra.

No ano de 1185, o imperador do Japão era um menino de 7 anos chamado Antoku. Ele era também o chefe nominal de um clã de samurais, os Heike, que travavam uma longa e sangrenta batalha com outro clã, os Genji, por ambos se acharem com direitos ancestrais ao trono imperial. O encontro naval decisivo entre os dois cIãs, com o imperador a bordo, deu-se em Danno-ura, no mar do Japão, a 24 de Abril de 1185. Os Heike eram numérica e tacticamente inferiores; muitos pereceram na batalha e os sobreviventes atiraram-se em massa ao mar, afogando-se. A senhora Nu, avó do imperador, decidiu que nem ela nem Antoku seriam capturados pelo inimigo. O que se seguiu vem contado na História dos Heike:

«O imperador tinha 7 anos, mas parecia muito mais velho. Era tão belo que parecia irradiar um halo de luz e o seu longo cabelo negro caía solto pelas costas abaixo. Com a surpresa e a ansiedade estampadas no rosto, perguntou à senhora Nu: ‘Para onde me levas?’ Ela voltou-se para o jovem soberano, com as lágrimas correndo em fio, e [...] confortou-o, atando-lhe os longos cabelos com as suas vestes cor de pomba. Com os olhos cegos pelas lágrimas, o pequeno imperador juntou as delicadas mãozinhas. Voltou-se primeiro para oriente, despedindo-se do deus Ise, e depois para ocidente, recitando o Nembutsu [uma oração ao Amida Buddha]. A senhora Nu tomou-o nos braços e, dizendo ‘Nas profundezas do oceano está o nosso capitólio’, afundou-se finalmente com ele entre as ondas.»

Toda a armada Heike foi destruída só sobrevivendo quarenta e três mulheres. Estas damas da corte imperial viram-se forçadas a vender flores e outros favores aos pescadores da costa, perto do palco da batalha. Os Heike praticamente desapareceram da história.

Mas o miserável rebanho das ex-damas da corte e dos filhos que tiveram dos pescadores estabeleceram um festival em comemoração da batalha, o qual se realiza no dia 24 de Abril de cada ano.

Os pescadores descendentes dos Heike vestem-se de serapilheira e, com a cabeça coberta de negro, dirigem-se para o santuário de Akama, que contém o mausoléu do imperador afogado, onde assistem a uma peça que narra os acontecimentos que se seguiram à batalha de Danno-ura. Durante séculos, o povo imaginou ver exércitos de samurais que tentavam em vão esvaziar o mar, para o limpar do sangue, da derrota e da humilhação. Os pescadores dizem que os samurais Heike ainda vagueiam pelos fundos do mar do Japão — sob a forma de caranguejos.

De facto encontram-se neste local caranguejos com marcas curiosas nas carapaças, marcas e recortes que se assemelham de um modo perturbante ao rosto de um samurai. Quando apanham estes caranguejos, os pescadores não os comem, mas voltam a deitá-los ao mar, em comemoração dos trágicos acontecimentos de Danno-ura.

Esta lenda levanta um problema interessante. Como é que a cara de um samurai foi gravada na carapaça de um caranguejo?

A resposta parece ser que foram os homens que fizeram a cara. As marcas da carapaça dos caranguejos são hereditárias. Mas nestes bichos, tal como nas pessoas, existem muitas linhas genéticas.

Suponhamos que entre os antepassados longínquos deste caranguejo surgiu por acaso um cuja carapaça lembrava vagamente um rosto humano. Já antes da batalha de Danno-ura, os pescadores teriam provavelmente tido relutância em comer um caranguejo assim. E ao voltar a deitá-la ao mar, eles iniciaram um processo evolutivo: se fores um caranguejo de carapaça vulgar, os homens comem-te — a tua linha deixará poucos descendentes; se a tua carapaça se parecer, por pouco que seja, com uma cara, eles deitam-te de volta ao mar e poderás ter mais descendentes.

Os caranguejos investiram substancialmente nas marcas das carapaças. Com o passar das gerações, tanto de caranguejos como de pescadores, os animais cujas carapaças mais se assemelhavam a um rosto de samurai sobreviveram preferencialmente, até que acabou por se produzir, não só uma face humana, não só uma cara de japonês, mas o rosto feroz de um temível samurai.

Nada disto tem o que quer que seja a ver com o que os caranguejos querem. A selecção vem do exterior. Quanto mais te pareceres com um samurai, melhor para ti. A seu devido tempo, acabou por haver grandes quantidades de caranguejos-samurais."
O próprio biólogo Alysson Muotri cita em seu artigo o trecho do Carl Sagan acima.

E desenvolve o impacto da seleção artificial terá na vida em nosso planeta.

Vale a pena ler um trecho:
"De qualquer forma, a saga dos caranguejos Heike é um potencial exemplo do processo de seleção onde certas linhagens sobrevivem não por causa de forças da natureza, mas pela intenção humana. Esse caso específico é conhecido por biólogos e foi amplamente difundido por Carl Sagan em um episódio de "Cosmos" (alguém lembra?).

Na verdade, é apenas um dos milhares de exemplos desse tipo de seleção artificial, onde os homens decidem quais tipos de organismos sobreviverão no futuro. Hoje em dia, a seleção artificial é conscientemente utilizada em microbiologia, genética e biotecnologia, para a descoberta e desenvolvimento de novas drogas, por exemplo.

Fora dos laboratórios, o homem também modifica o ambiente a todo momento, nem sempre de forma consciente. Ainda não compreendemos as conseqüências de nossas ações no ambiente. Ações corriqueiras como o uso de detergentes, plásticos etc., influenciam o ecossistema e vão direcionar as espécies que vão habitar o planeta no futuro.

Interessante notar que, mesmo com tanta capacidade mental e tecnológica, o homem corre o risco de não estar entre as espécies selecionadas, gerando a própria extinção."
Quem quiser ler o artigo inteiro pode clicar aqui.